sexta-feira, 28 de maio de 2010

Indiferença alheia

Como poderei perseverar?
Se entrei no meio de uma guerra que não era minha
E me deram um espírito fraco por covardia
Não me motivaram a vencer.

Como poderei perseverar?
Quando não há força
Que me levante para mais um dia
Quando todo dia sangro
Me arrependo e choro,
Nos cortes que impus a minha carne fria.

Como poderei perseverar?
Se a tua luz não sinto mais em mim
Quando tudo que vejo
Me deixa cada vez com medo
Se o senhor me abandonou
Quando mais necessitava
Me fez vagar por vales úmidos e sombrios.

Como poderei perseverar?
Se a minha força é roubada
Todo dia
Por aqueles que eu amo e morreria
Pelo tempo que apaga a esperança
Pelo ato de viver tão descontente

Como poderei perseverar?
Se enfrento um demônio a cada dia
O mesmo que me rebaixa com tanta covardia
Se senhores negros não me deixam mais dormir
Quando não encontro mais motivos pra sentir
E esperar por um dia diferente
Que as pessoas sejam menos indiferentes
E as palavras não nos causem a mesma dor
E as recompensas não sejam jogadas no ventilador
Que dita a sorte dos mais ágeis e potentes.
Um dia que eu possa dormir sem tanto medo
Em que alguém se importe com os meus sentimentos
Em que não tenha mais vontade de pecar.
Como poderei perseverar?
Se a estrada leva há um rumo diferente
Se não sou digno de entrar pela porta da frente
Se o amor se resumiu numa palavra
Dita pra mostrar que ainda existe algo bom dentro da gente
Como poderei perseverar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário