Ela
Deitou e rezou
Antes de dormir.
Deus nunca ouviu
Uma oração tão estranha
Como ela fez.
Antes de apagar a luz,
Olhou a foto na cabeceira
E uma lágrima teimou
Em percorrer aquele rosto lindo.
E ela fechou os olhos pela última vez.
E ela fechou os olhos pela última vez.
Qual é a moral da história?
Cadê o “era uma vez”?
Por que os olhos lindos choram?
Por que tem que haver um “talvez”?
Ela
Sabia muito pouco
Mas sabia tudo que precisava saber.
Não era nenhum tipo de logro.
Nenhuma previsão ‘praguimática’.
Ficamos como “joão-bobo”
A mercê de sei lá o quê.
Antes de fechar os olhos
Ela tinha plena certeza
De que nenhum pesadelo dura pra sempre,
E ela fechou os olhos pela última vez.
O amor é uma palavra bonita
Sem significado algum.
O amor é página de um livro
Indecifrável para os incapazes.
O amor é um tipo de mito
Que não faz sentido acreditar.
Ela
Não vai acordar amanhã.
Ela
Não vai acordar...
Sabemos pouco
Ou coisa nenhuma,
Sabemos ser
O que os outros querem,
Aprendemos cedo a enganar.
Se ela hoje pudesse dizer
Ela diria que não se arrepende.
As folhas caem
Querendo ou não acreditar.
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