sexta-feira, 28 de maio de 2010

Nunca tão só

Ela

Deitou e rezou

Antes de dormir.

Deus nunca ouviu

Uma oração tão estranha

Como ela fez.

Antes de apagar a luz,

Olhou a foto na cabeceira

E uma lágrima teimou

Em percorrer aquele rosto lindo.

E ela fechou os olhos pela última vez.

E ela fechou os olhos pela última vez.

Qual é a moral da história?

Cadê o “era uma vez”?

Por que os olhos lindos choram?

Por que tem que haver um “talvez”?

Ela

Sabia muito pouco

Mas sabia tudo que precisava saber.

Não era nenhum tipo de logro.

Nenhuma previsão ‘praguimática’.

Ficamos como “joão-bobo”

A mercê de sei lá o quê.

Antes de fechar os olhos

Ela tinha plena certeza

De que nenhum pesadelo dura pra sempre,

E ela fechou os olhos pela última vez.

O amor é uma palavra bonita

Sem significado algum.

O amor é página de um livro

Indecifrável para os incapazes.

O amor é um tipo de mito

Que não faz sentido acreditar.

Ela

Não vai acordar amanhã.

Ela

Não vai acordar...

Sabemos pouco

Ou coisa nenhuma,

Sabemos ser

O que os outros querem,

Aprendemos cedo a enganar.

Se ela hoje pudesse dizer

Ela diria que não se arrepende.

As folhas caem

Querendo ou não acreditar.

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