sexta-feira, 28 de maio de 2010

Muitas verdades

Existem tantas verdades por aí,
Mas a verdade mais difícil
É aquela que desconhecemos,
Por que há tanta injustiça?
Por que nunca vencemos?

É difícil entender
Como um garoto tão bonito
Que nem pediu para nascer
Morreu assim tão jovem
Tão calmo
A sangue frio
Por um pessoa que não devia ter nascido,
Mas se nasceu
Devia ter decidido
Um caminho diferente
Do que tirar a vida de um menino tão inocente.

“João Pedro
Você foi o meu melhor amigo,
Soltava pipa
Jogava bola
Me dava um monte de ‘apelido’.
Dizia que já sabia o que queria
Queria ser cadete da marinha
Mas o seu sonho de tão perto
Precipitado se mostrou,
Você sabia que não era certo
Mas na maconha tu se afundou
Tentei dizer
Puxei você
E você até me golpeou.
Dizia que sabia o que iria acontecer,
E na sua vida
Eu não devia me meter.

E um dia te peguei com um “berro” na mão
- aquele não era meu irmão.
Não foi o que agente planejou,
A gente pensava em casar e ter uma ‘renca’ filhos
Ficar “coroa” na varanda
Jogando dama,
Esquecendo o nome da mulher e de nossos filhos.
Mas você, meu amigo, se perdeu.

E naquela noite fria
Voltava da festa da minha tia
Já era tarde,
Já era quase dia.
E alguém me surpreendeu,
Um garoto com uma arma na mão:
“Você perdeu, me passa a grana!”
Me golpeou e caí no chão,
e antes que eu pudesse me defender
senti meu peito arder em fogo,
e o sangue esguichar.
Minha vida parecia uma novela
Sem final feliz.
Foi quando então eu percebi
Era meu amigo que estava ali
Você que jurou dar a vida por mim
Conseguiu tirá-la por tão pouco.
E quando a sua “onda” começou a passar,
Você não conseguia acreditar
Que era eu ali,
Morrendo em sua frente
Por um tiro que você friamente disparou,
“Como isso pode acontecer, me diz meu irmão, que não é você.”
Então vi você se afastar
Colocar uma arma dentro da boca
Explodir o seu crânio
Com uma bala tão “rouca”.

Fomos amigos com vontade de viver,
E morremos no mesmo dia,
No dia em que não conheci você.”

Dois garotos de 14 anos
Mortos simplesmente por engano,
Engano da vida
Engano das drogas
Engano das autoridades que não se importam.
E morrer assim tão enganado
É dizer que somos todos culpados
Por não ver o que está tão claro na nossa frente,
Que o futuro é incerto
E que a verdade mais difícil
É aquela que desconhecemos.
Que se não mudarmos logo
Será os nossos filhos que perderemos.

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